No ato IV, Carmem calmamente diz a José que o relacianamento acabou: ela nasceu livre e livre morrerá. Carmem de Gerges Bizet é lindamente interpretada pela soprana Eliana Garancã. Mas ainda acho Agnes Baltsa, a Carmem que o Metropolitan não esquecerá. A voluptuosa  Carmem revela o senso de rídiculo do homem apaixonado. Assim, o amor é livre e não obedece regras. No último ato ela retira o anel que Dom José lhe deu e joga a seus pés. Uma  cena em que a arte imita a vida, não é preciso dizer mais nada.         

Reveillon

Simplesmente extraordinário este reveillon 2010. Um do melhores que passei. Valeu família Villela e amigas!

Relendo às crônicas de Nelson Rodrigues observo uma passagem pitoresca, na crônica" ninguém pode saber que você ama" . A um determinado ponto do diálago Nelson faz a seguinte indagação a um sujeito que o encontrou no bar:" Que idéia você faz do casamento?". Ele responde: " o casamento do amor deveria ter sigilo do adultério, nada de proclamas. Ninguém devia saber, jamais. .Mas não sendo de amor, podia ter a assistência de Fla-Flu. O homem e a mulher deviam casar-se num terreno baldio, à meia-noite, à luz de isqueiros ou de vela. O padre falaria baixinho para que nem os sapos , nem os gafanhotos percebessem. E, depois, os noivos iriam enterrar o amor num tùmulo. Ninguém saberia, jamais. Então teriam uma felicidade jamais concebida."  

Um estado de espírito frequente nos personagens de Dostoiévski é aquele caracterizado pela coexistência de sentimentos antagônicos. Amor e ódio se misturam tão intimamente, se alternam com tal mobilidade, com tal rapidez, que os próprios personagens não sabem dizer ao certo a natureza dos sentimentos que experimentam. Rogogine em o "O Idiota" e Raskolnikov em "Crime e Castigo" são exemplos nítidos desses estados de espírito caracterizados pela simultaneidade de sentimentos contrários.

Os brasileiros  que o Brasil desconhece.

Que foi estúpida a reação da torcida curitibana no jogo final do brasileiro contra o fluminense, quanto a isso não há dúvidas. Contudo, o mais espantoso de tudo são os rostos dos torcedores, que câmera  de Tv mostrava dando "close". Onde estão os negros? Só se via louros e belas mulheres desfilando com óculos de marca. Aquela altura me perguntava: onde estão os negros que são "ladrões, arruaceiros, baderneiros, e animais  enfurecidos"?   Bem, podemos agora ver que o instinto animalesco não escolhe cor, nem classe social, para a tristeza dos racistas disfarçados. E agora cara pálida?   

     Miami e sua nightlife.

"Bastardo inglórios" é um deboche ao nazismo. Uma ridicularização dos alemães. O coronel alemão, chefe da segurança nazista, se vende aos bastardos, em troca de uma vida confortável na américa, com uma bela casa,  a maneira "american way of life". Os chefes nazistas se reúnem em um cinema, na França ocupada, para assistiram ao filme do triunfo nazista. Hitler e seus asseclas, num mesmo local e hora são incendiados pelo amante negro da judia sobrevivente  e metralhados por dois dos bastardos. Tudo é claro com muito exagero e sangue.   Tarantino consegue fazer do filme uma vingança redentora contra os nazista, deixando-os desprovidos de qualquer senso de humanismo. Assim, esses sanguinários são explodidos por todos nós, que participamos mentalmente de  seu aniquilamente.    

Sinto-me orgulhoso de ter uma família tão maravilhosa . A solidez moral de meu tio, o amor incondicional da minha mãe, a solidariedade de meus irmãos, o carinho de meus sobrinhos, e a amizade sincera dos meus amigos, fizeram o homem que sou hoje. E a eles devo a minha higidez de caráter, o meu espirito de evolução  e minha infinita capacidade de amar. Quem tem isso tudo não precisa de mais nada, o resto é efêmero. É como pó que desaparece num leve sopro.

Marcello Rubini e a  estonteante Sylvia Rank, em La dolce vita de Felline, nos fascina pelo simbolismo. É difícil viver nessa intensidade carnal, mas é revitalizador e "causing addiction". Huaaal!     

 

 

 

Roma é simplesmente deslumbrante.Tive momentos hilariantes na cidade dos Césares.

 

 

 

Gritos da Liberdade.

"Os gritos,  a fumaça do combate, o estampido do canhão, as descargas da fuzilaria e o repique dos sinos , ecoavam dentro de mim.

Aquele dia inteiro, com a sua atmosfera inflamada, parecia surgir repentinamente do passado e colocar-se diante de mim como um quadro vivo.

Não foi mais que uma iluminação súbita, um sonho passageiro; quando, erguendo de novo a cabeça, olhei ao meu redor a aparição já havia se desvanecido.

Porém, jamais o silêncio do bosque me parecera tão gélido, suas sombras tão sombrias, sua solidão tão completa."

Essa é uma letra de música que fiz em 1994, parece-me bem atual.

Há coisas na vida que são irrefutáveis. Uma delas é a noção de felicidade. Para uns são pequenos prazeres do dia a dia, como um dia ensolarado, que fazem a vida ser agradável. Para outros são realizações do amanhã, ignorando o presente que é sempre foco de insatisfação. É que na verdade a felicidade esta em nos mesmos, o porvir é sempre uma muleta para nossas augústias do dia-dia. É mais fácil encontramos em outra pessoa, em outro lugar, em outra meta, em outro trabalho, a saída para nossa aflições presentes. O infeliz procura explicação, o feliz encontra no coração. Este valoriza as pequenas coisas da vida, aquele busca no próximo suas mazelas pessoais. Eis a felicidade.               

Você conhece um lugar onde a rodoviária é a realização da decadência, a imundície plena, na qual  exala urina à distância, repleta de camelôs, pedintes e crianças maltrapilhas? Você conhece um lugar onde o trem tem os assentos mais duro que chumbo, gente que se apinha como gado, vendedores de glicose  a cada 3 minutos, e alguns sujeitos estranhos com olhares ameaçadores?    Não, então vá à Central do Brasil. É a face mais realista de lugar habitado por um povo obidiência e consciente da  sua imutável condição ignóbil.       

Sempre achei a música uma arte maior. Apesar de já ter visto as maiores obras de pintura, escultura e arquitetura, bem como ter lido o que há de melhor em literatura; nada supera a uma obra musical, como "A Flauta Mágica" de Mozart, por exemplo. O que Mozart legou como herança musical significa felicidade para muitas gerações. E suas músicas, como  também as de Beethoven, Shubert e Wagner, só para citar os meus favoritos, são feitas para agradar os sentidos.  É a verdadeira  manifestação da alma humuna, procurada por todas a expressões artísticas, mas somente alcançada por uma melodia, em sua plenitude.   

"Ovo da serpente" de Ingmar Bergman é simplesmente apavorante. Nos mostra a tirania na sua face mais atroz. A tirania do medo, da desconfiança, do sofrimento, da decadência moral, são reveladoras diante da incerteza do amanhã. Em atuações  primorosas de David Carradine, este morreu de forma inexplicável na vida real, e Liv Ullmann, a persona de Bergaman.  Este filme é para quem quer entender o que se passou na Alemanha na década de 20, antes da ascensão de Hitler ao poder. Tornando-se indispensável as mentes revolucionárias. Bergman esgota o tema sem clichês entediantes. Que densidade! 

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